Não sei amar
Quando amo, fico doente.
Sinto-me fraca, burra, demente.
E é por isso e tudo mais
Que já não embarco. Fico no cais.
Quando o fascínio me embriaga
Sinto-me carne, sentido. Mais nada...
Não há razão que me oriente
Pois, quando amo, fico dormente.
Quando Chopin me toca os ouvidos
E as borboletas dançam no estômago
Eu me reviro inteira do avesso
Dos pés à cabeça, estremeço no âmago.
Titubeio, Venero, tropeço.
Fragilizo, vulnerável. Retrocesso.
Emudeço. Não me meço
E transbordo, desconexo.
Quando eu amo, não sou eu.
Fico escrava do desejo.
Perambulo pelos becos
Vendo almas. Compro beijos.
Quando eu amo, vivo instável.
Viro noites, dobro tardes,
Remoendo mil demências
De consequências deploráveis.
E é por saber-me assim
Intransigente, ao amar,
Que construí, nos confins,
Um templo sacro distante. Um altar.
E toda vez que enlouqueço
Me isolo.Fujo.Até me reabilitar.
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