Do nada que não há
Hoje acordei de mim e de todos que me habitaram
De todos os que eu senti [ Ou que me menti ] nas superfícies enfumaçadas
E que não passaram de fagulhas sujas [Pobres almas penadas]
Apenas sobrevoaram ou rastejaram até o fundo de mim, mas não mergulharam.
Hoje eu acordei de mim mesma e fiquei estarrecidamente pasma
Sem aquelas mãos entrelaçadas que enlaçam um mundo de possibilidades
Agora falta-me o ar que antes não me faltava. Não há mais que nada.
[Mas eu nunca desejei entrelaçar o mundo mesmo... E isso me acalma.]
E porque é que tem de haver rima e sentido se tudo nos escapa
Nas ‘corriqueirices’ desse cotidiano-lixo de meias palavras?
Em que rumo caminham os ponteiros do relógio-máquina
Horas essas ,que fogem,e que não absorvem nada?
“Tudo é vago e incompleto”: Isso em mim cala.
Silenciosamente compreendo, com a exatidão mecânica dos ajustados,
A lógica onisciente e abstrata que move o universo e que impõe aceitação.
A irregularidade de alguns dias é apenas uma peça pregada por um deus enganador
E assim seguimos, nessa gangorra mórbida,
Acreditando que somos livres para escolher algo.