A filosofia literária do filósofo Franco-argelino Albert Camus e a poética filosófica da poetisa portuguesa Florbela Espanca se entrelaçam de maneira anacrônica e descompromissada.Ambos com as suas "ânsias de infinito", buscavam por aquilo que sabiam-se impossibilitados de encont rar:O sentido da vida.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
O que (não) deseja uma mulher
O que (não) deseja uma mulher
Nem doença nem cura
Deseja ser uma mulher
Para aquele à quem a quer (ou quis ...ou quererá)
No mais ínfimo dos acasos
Nas mais impossíveis estribeiras
Deseja uma mulher ser quase um “sonhar”
Nem peso doce ou bruma seca
De uma boca ignóbil de destrezas
Para amarrar, prender em torturas
De silêncios gritantes que se sussurram.
Pois há sempre de haver medianas incertezas
E não há (nunca) como as negar
Nem tão sutil e indefesa
Às vezes solta. Outras avessas.
Um colibri num labirinto
Quase anil. Quase granito.
Jargões, clichês e matemáticas.
Sufocam por inteiro a sua gramática.
Não deseja uma mulher, ciências prontas.
Deseja sensações. Nem cálculos; nem contas.
E há de se saber do que não se sabe
E de tudo o que talvez jamais se saberá
Das lágrimas, dos delírios e loucuras
Das poéticas, dos dramas e do cantar
Fechem-se os olhos e abrem-se as almas
E à uma mulher vislumbrará.
Não deseja uma mulher, a métrica ou a medida
Assim como não deseja equações. Tão distraídas!!
Deseje-a quase que sem desejo
Deseje-a quase que sem pulsões
Mergulhado em devaneios. Absorto em abstrações.
Mas o que deseja mesmo uma mulher?
Se flores murcham, canções calam e doces enfeiam ...
Se estar junto aprisiona e não estar desenfreia ...
Se amar dói e não amar deixa alheia...
Deseja (e não deseja), uma mulher, o mesmo que os homens:
Sangue nas veias.
Diane.
02 de setembro de 2012
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