terça-feira, 4 de setembro de 2012


Breve prefácio de um poema desgostoso e decepcionado

Talvez, em espasmos do silêncio persistente do “outro lado”,
Que não quer ,jamais, voltar a me ouvir ... Misteriosamente,
A primeira versão desse poema se perdeu no tempo e no espaço.
Tentei resgatá-lo, mas a versão original não mais se deixou encontrar.
E, ao seu gosto, eu, definitivamente, o desencontrei.
Acredito na energia metafísica e inexplicável de todos os seres viventes,
Que transcendem até mesmo às suas próprias vontades e colocam-se a emanar mensagens mentais (seja por sonhos, pensamentos, insiths ou deja’vus) .
Desrespeitando, de maneira quase marginal, as leis do tempo e do espaço.
Ainda assim, como que em uma analogia da arte à própria existência real (à que chamam vida e isso estranhamente me soa), tentei reconstruí-lo,
Contudo ... Da segunda vez nunca é igual.
Nada se repete.Por isso poetizo o que não voltará a existir.


À moda italiana

Eu fui peso pesado
Em sua vida.
Matéria animada
Do mais escuro breu.
Passei longe de ser a sua leve brisa,
Tal qual aquela, que de tão distante,
Fez-se presente (tão sua como nunca eu).


Fui sua dor. Sua chaga. Sua agonia
Despertei só cansaço e melancolia.
Limitada ao fado do tédio repetitivo
Sem a chance de trazer-lhe de volta
Nova (ou eu... velha...) alegria.
Rechaçada como uma pedinte indigna
À quem, debochadamente, se tripudia.

Fui baixeza e fracasso dias à fio
Com a porta na cara,
O aperto do frio.
Vento gélido e bruto
Que me repelia
Enquanto eu implorava.
Enquanto eu insistia.

Eu fui corpo profano e sujo à sua revelia
Saciado da fome vil se esvaia.
Eu era uma banalidade, mais uma à cada dia
Preenchedora de buracos. Vil, estúpida, vadia.
Vadiando o teu ôco como quem busca euforia
Me choquei com uma parede branca, o céu escuro e a noite ria.

Mandou-me embora. Escurraçou-me.
Lançou-me verbos violentos
Disse que eu fosse “me tratar”.
Caluniou-me aos quatro ventos
De burra à louca
De velha à broca.
Nada restou que não dissesse.
Amigo? Amar?

A personificação do medo e da culpa
Expulsando à quem “se fazia de coitada”
Uma quase tragédia grega.
Até seria trágica se não fosse cômica.

“- É ridícula!”
Essa frase ainda grita em minha memória.
Que tom imperativo.
Quão grande a sua vitória!

Sim, eu fui mesmo um fiasco,
Não soube o momento exato do “final da história”
E agora restou o incorreto sobre o que eu fui
E o que você era?

Talvez um ator, de excelente atuação.
Girou a máscara com maestria. Com admirável perfeição.
Usurpador de identidade, forjou aquele à quem pertencia o meu amor.
Um amor que guardei a vida inteira... E que “gastei” com um amador.

A “Sonoridade” que vem de tão longe
Te re-inspira pra nova cena
Revigorado de explendor
(“sonora idade”)
Até que chegue o final do filme
Ou ao descerem as cortinas
Durará teu novo amor.

Esquece com tanta facilidade, que eu invejo tua (des) memória.
Parece nunca medir as consequências
Das suas palavras com tanta eloquência.
Um ser tão vil e tão mesquinho
Que tem no umbigo a existência.

Não minto. Não nego. Não me escondo.
Sou sim ,res-sentida, com a sua cruel frieza.
Roubou-me o que jamais me devolverão:
Eu cri na cumplicidade singular
E você ajudou-me a descomprová-la.

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