A filosofia literária do filósofo Franco-argelino Albert Camus e a poética filosófica da poetisa portuguesa Florbela Espanca se entrelaçam de maneira anacrônica e descompromissada.Ambos com as suas "ânsias de infinito", buscavam por aquilo que sabiam-se impossibilitados de encont rar:O sentido da vida.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Breve prefácio de um poema desgostoso e decepcionado
Talvez, em espasmos do silêncio persistente do “outro lado”,
Que não quer ,jamais, voltar a me ouvir ... Misteriosamente,
A primeira versão desse poema se perdeu no tempo e no espaço.
Tentei resgatá-lo, mas a versão original não mais se deixou encontrar.
E, ao seu gosto, eu, definitivamente, o desencontrei.
Acredito na energia metafísica e inexplicável de todos os seres viventes,
Que transcendem até mesmo às suas próprias vontades e colocam-se a emanar mensagens mentais (seja por sonhos, pensamentos, insiths ou deja’vus) .
Desrespeitando, de maneira quase marginal, as leis do tempo e do espaço.
Ainda assim, como que em uma analogia da arte à própria existência real (à que chamam vida e isso estranhamente me soa), tentei reconstruí-lo,
Contudo ... Da segunda vez nunca é igual.
Nada se repete.Por isso poetizo o que não voltará a existir.
À moda italiana
Eu fui peso pesado
Em sua vida.
Matéria animada
Do mais escuro breu.
Passei longe de ser a sua leve brisa,
Tal qual aquela, que de tão distante,
Fez-se presente (tão sua como nunca eu).
Fui sua dor. Sua chaga. Sua agonia
Despertei só cansaço e melancolia.
Limitada ao fado do tédio repetitivo
Sem a chance de trazer-lhe de volta
Nova (ou eu... velha...) alegria.
Rechaçada como uma pedinte indigna
À quem, debochadamente, se tripudia.
Fui baixeza e fracasso dias à fio
Com a porta na cara,
O aperto do frio.
Vento gélido e bruto
Que me repelia
Enquanto eu implorava.
Enquanto eu insistia.
Eu fui corpo profano e sujo à sua revelia
Saciado da fome vil se esvaia.
Eu era uma banalidade, mais uma à cada dia
Preenchedora de buracos. Vil, estúpida, vadia.
Vadiando o teu ôco como quem busca euforia
Me choquei com uma parede branca, o céu escuro e a noite ria.
Mandou-me embora. Escurraçou-me.
Lançou-me verbos violentos
Disse que eu fosse “me tratar”.
Caluniou-me aos quatro ventos
De burra à louca
De velha à broca.
Nada restou que não dissesse.
Amigo? Amar?
A personificação do medo e da culpa
Expulsando à quem “se fazia de coitada”
Uma quase tragédia grega.
Até seria trágica se não fosse cômica.
“- É ridícula!”
Essa frase ainda grita em minha memória.
Que tom imperativo.
Quão grande a sua vitória!
Sim, eu fui mesmo um fiasco,
Não soube o momento exato do “final da história”
E agora restou o incorreto sobre o que eu fui
E o que você era?
Talvez um ator, de excelente atuação.
Girou a máscara com maestria. Com admirável perfeição.
Usurpador de identidade, forjou aquele à quem pertencia o meu amor.
Um amor que guardei a vida inteira... E que “gastei” com um amador.
A “Sonoridade” que vem de tão longe
Te re-inspira pra nova cena
Revigorado de explendor
(“sonora idade”)
Até que chegue o final do filme
Ou ao descerem as cortinas
Durará teu novo amor.
Esquece com tanta facilidade, que eu invejo tua (des) memória.
Parece nunca medir as consequências
Das suas palavras com tanta eloquência.
Um ser tão vil e tão mesquinho
Que tem no umbigo a existência.
Não minto. Não nego. Não me escondo.
Sou sim ,res-sentida, com a sua cruel frieza.
Roubou-me o que jamais me devolverão:
Eu cri na cumplicidade singular
E você ajudou-me a descomprová-la.
O que (não) deseja uma mulher
O que (não) deseja uma mulher
Nem doença nem cura
Deseja ser uma mulher
Para aquele à quem a quer (ou quis ...ou quererá)
No mais ínfimo dos acasos
Nas mais impossíveis estribeiras
Deseja uma mulher ser quase um “sonhar”
Nem peso doce ou bruma seca
De uma boca ignóbil de destrezas
Para amarrar, prender em torturas
De silêncios gritantes que se sussurram.
Pois há sempre de haver medianas incertezas
E não há (nunca) como as negar
Nem tão sutil e indefesa
Às vezes solta. Outras avessas.
Um colibri num labirinto
Quase anil. Quase granito.
Jargões, clichês e matemáticas.
Sufocam por inteiro a sua gramática.
Não deseja uma mulher, ciências prontas.
Deseja sensações. Nem cálculos; nem contas.
E há de se saber do que não se sabe
E de tudo o que talvez jamais se saberá
Das lágrimas, dos delírios e loucuras
Das poéticas, dos dramas e do cantar
Fechem-se os olhos e abrem-se as almas
E à uma mulher vislumbrará.
Não deseja uma mulher, a métrica ou a medida
Assim como não deseja equações. Tão distraídas!!
Deseje-a quase que sem desejo
Deseje-a quase que sem pulsões
Mergulhado em devaneios. Absorto em abstrações.
Mas o que deseja mesmo uma mulher?
Se flores murcham, canções calam e doces enfeiam ...
Se estar junto aprisiona e não estar desenfreia ...
Se amar dói e não amar deixa alheia...
Deseja (e não deseja), uma mulher, o mesmo que os homens:
Sangue nas veias.
Diane.
02 de setembro de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Por entre os póros
Que amasse quantas lhe fosse possível
Naquela amplidão do indivisível
Multiplicasse sonhos e evasões.
Sonhasse.Sonhasse e voasse na imensidão.
Permitisse as surreais possibilidades
Múltiplos países e cidades
Infindáveis contornos de corpos
(Celestes ou inertes)
Amasse os seus paraísos e oásis
Diversas finitudes e miragens
Matérias luminosas e estandartes
Mas se repousasses em minha presença
Que fosse por inteira a cadência
Completo em sentidos e abstrações
Não preenchesse-me com palavras vãs e vasias
Nem me inundasse com falsas alegrias
Daquele "eu te amo" (que já não sentia)
Não estivesse ao meu lado, com a mente longe
Não Desenhasse o meu corpo, pensando em outros
Nem me encontrasse na prévia de outro encontro
Não exigia só meu teu sentimento
Nem ousava roubar teus pensamentos
Mas que fosse só nosso o nosso tempo.
Se fosse tocar-me, que fosse por inteiro
Por entre os póros,alma e cabelos
Não apenas a superfície
De um universo inteiro.
Se acariciasse os meus sentimentos
Que fosse verdadeiro e nunca efêmero
Nunca uma mentira
Nunca um passa-tempo.
Mas ignorastes os meus sentimentos
Me ignorou.Matou-me por dentro.
Esquecestes, que um dia, eu fui teu alento.
Diane
27 de Abril de 2012
ÁCIDA
Dias de ventos sem sul ou norte
Tardes entregues à própria sorte
Nebulosos caminhos incertos
Desapegos e retrocessos.
Cinza.Tudo cinza.
Já não há cor Para colorir o meu sorriso indolor
Para arcar com o prejuízo do desamor.
Dor.Abstrata dor.
Passo aedo por esses caminhos sem volta
Entro sem abrir ou fechar a porta
Percebo-me sem início ou fim
Cala-te.Já não há nada que console-me, enfim.
Quero do mundo os paraísos incertos.
Ouso, sem medo, meus desejos inconcretos.
Se há na vida, esse padrão de incoerência,
Que sejas tu ,e jamais outro , minha profunda penitência.
Curo-me. Sempre ei de me curar.
Renasço do ácido que compõe minhas imortais esferas.
Diane, 27 de Abril de 2012.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Os olhos dela

O seu silêncio me açoitava.Havia,na mudez obstinada daquele olhar,um quê de sombria inquisição.Como se todos os meus passos fossem demoníacos a ponto de não dispensarem um segundo,sequer de distração ou descuido.Aqueles olhos,que me seguiam por toda parte,sempre como um dedo indicador apontado para o meu cérebro.Olhos que só se fechavam para conceber um sono de premonições absurdamente doentias e ignóbeis(quase sempre a meu respeito!)
Ficava por horas contemplando a sua própria matéria.Tentava decifrar o conteúdo daquela alma obscura de imprevisibilidades.Nada encontrava.Nada poderia encontrar.Talvez precisasse se deitar nua sobre o chão frio do quarto,coberta pela negra escuridão.Assim era mais fácil tocar o seu élan com o universo.Com as luzes apagadas era possível tocar o interior de si própria e as extremidades do mundo.
Às vezes era doce.Era indescritível aquela doçura.Como se rogasse a si mesma por compaixão.E essa condescendência de humor ia da acusação ao amor,em um espaço de tempo tão curto,que se tornava cada vez mais difícil mensurá-lo.De todo modo,improvável seria resistir àquele encanto!Eu sempre cedia e,ainda hoje cedo,sempre que aqueles olhos de abismo celeste me flertam a alma.
Depois de vinte e seis primaveras escarlates,seus olhos foram se afastando,curiosamente,dos meus.Sempre que deles eu me aproximava ou ameaçava aproximar,se encolhiam em gestos de agoniada angústia.Desviava-se com ar de repulsa odiosa.Defendia-se da minha presença,como quem se preserva de um ser terrível.
Em meu íntimo,sentia que aqueles temores não eram assustadoramente definitivos.
Dolorosamente,no entanto com certo torpor,me acostumei àquele desprezo passivo e aniquilador.Passava noites em claro tentando reaver os delírios daqueles olhos tépidos,que outrora sufocaram meus desejos enclausurados e que,repentinamente,me abandonaram ao léu.
Apelei de todas as formas:Sorri,chorei,calei,gritei e nada...Ela permanecia intacta.Desesperadoramente gelada e muda.Os olhos permaneciam cerrados,fugidios e hostis.Foi quando,em uma manhã de junho,resolvi esquecer para sempre.Vesti-me e,de costas para ela,saí de casa sem ao menos encarar sua face.Nessa altivez de espírito ferido,permaneci invicto,sem titubear por um instante sequer.Assim segui,por dias a fio,como quem tenta apagar traços de morbidez em seu passado.
Fingia não notá-la cabisbaixa pelos cantos da casa ou caminhando,vagarosamente,dentro dos cômodos escuros.Seu vulto às vezes se confundia com almas penadas que não conseguem dormir ou acordar.
Fui forte (tanto quanto pude ser!)...O bastante para evitar percorrer caminhos em que houvessem quaisquer objetos que produzissem reflexos.Passei a escovar os dentes na pia da cozinha e me vestir na sala.Percorria as ruas da cidade que não tinham lagos,desviava de igrejas com vitrais.
Diante do incômodo contínuo que dificultava a minha rotina,resolvi cobrir os vidros e espelhos de casa com lençóis e toalhas.Guardei todas as taças e os talheres de inox.
Curiosamente,notei que eram vãos todos os meus esforços por que ela permanecia lá.A sua presença oculta tornara-se ainda mais forte com o passar dos dias.A morbidez do seu silêncio estridente ensurdecia os meus sentidos.Eu sabia que ela estava lá e ela estava o tempo todo.Todo o tempo.
Depois de dois dias tornou-se insuportável aquele jejum visual.E aquela situação nebulosa tornou-se infundada.Concluí que já não seria possível sustentar aquela atmosfera de falsa separação.
Senti-me cretinamente egoísta e hipócrita.Resolvi retirar os lençóis e toalhas,abri as janelas e portas e fui caminhando até o quarto,onde ela se tornava mais nitidamente visível.Foram passos de regresso em tom de escusas e lágrimas.
Eu desejei a mais bela das remissões.Idealizei um encontro pleno,que reavivassem minhas entranhas.
E lá estava ela:Com a alma repleta de doce submissão e bondade.Transbordando anseios bipolares.Sempre entregue aos meus caprichosos intuitos de reflexão e glória.Ela,que sempre se comprazia em meus deleites imaginários e exaltava-me em sua inocência pueril de sublime veneração aos sonhos e planos desejosos.
Naquele momento eu pude compreender que,independente do que quer que houvesse,ela estaria lá.Sim.Ela estaria lá até que os meus olhos(uma vez cansados)se fechassem.Ela me seria eterna enquanto eu existisse.
Ela era eu.Eu ainda sou ela.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Mito,Metáfora,Filosofia ou salada mista!!?

Pedi à métrica a medida
De um simplório verso verdadeiro.
Roguei por deuses indivisíveis
E apareceu-me sempre o mesmo.
Procurei, entre becos, o centro de tudo
Quase a desmaiar, em um mundo louco
Por alguns instantes,julguei certezas
Em outros momentos, temi o oco.
No meio do caminho me despi
De todas as cicatrizes e dos sonhos
Nada me restou do que vivi
Além de um corpo descalço e absorto.
Eu fui sonho.Eu fui dor e desespero
Fui matéria animada pelo mistério
Firmei pactos com entidades invisíveis
E agora sou nada.Alimento os vermes.
A garrafa mágica do gênio da lâmpada ou o Oráculo de Delfos?Qual mortal não hesitaria mil vezes antes de escolher entre ter três desejos "terrenos" realizados ou obter profecias sobre o seu futuro e revelações sobre o seu passado?Não obstante,é evidente a busca frenética dos homens por verdades,sejam elas individuais ou universais.
Os homens compõem conceitos,definições,tudo isso na tentativa de afastar o assombro da dúvida.Olhar para o universo,procurando respostas satisfatórias aos mistérios da existência é também uma forma de olhar para dentro de si próprio.É com esse intuito que se desenvolvem, ao longo da história, teorias envoltas de simbologias diretamente conectadas às especulações cotidianas dos homens. O tempo todo procuramos vestígios que comprovem nossa origem e nosso destino.
O pré-socrático Xenófanes de Colofão, em atitude de reprovação à atribuição de traços antropomórficos aos deuses, propôs aos gregos um único deus, que era uma esfera eterna. Tal figura (esfera) possui o significado do arquétipo da perfeição, visto que "todos os pontos da superfície se eqüidistam do centro". Essa analogia foi utilizada, ainda, por outros pré-socráticos (Empédocles, Parmênides,etc.)que, dentre outras teorias, tinham como objetivo comum a "busca da verdade".
Difícil, para mim, conceber uma esfera infinita que jamais teve início e que está encerrada em sua solidão circular.Confesso a graciosidade poética de tal suposição, no entanto, a considero indigesta.
Cientistas,filósofos e religiosos incitam, cada qual à sua maneira, teorias explicativas para o universo e todas as coisas pertencentes à ele. Acontece que, embora três reinos abarquem as possibilidades humanas de conhecimento (animal, vegetal e mineral), existem reinos ainda desconhecidos e inatingíveis ao entendimento.Mistérios que nossos sentidos não compreendem.Não fosse esse detalhe sutil da limitação das nossas percepções sensíveis,talvez a humanidade não ansiasse demasiadamente por pontos finais.No entanto, nossos olhos não podem ver para além do horizonte,nossos ouvidos não podem ouvir a sinfonia dos astros que se movem no espaço,nossas narinas não podem sentir o cheiro das estrelas, nossas mãos não podem tocar as abóbodas celestes nem os nossos lábios podem degustar o néctar dos possíveis deuses.Limitar talvez seja, ao mesmo tempo, intrigar a curiosidade, instigar a imaginação e , or fim, desafiar a razão.
Quando Jorge Luis Borges cita a metáfora de Deus, dizendo que "Deus é um círculo cujo centro está em toda parte e a circunferência,em nenhuma.",me faz pensar em uma entidade que invade sem se deixar ser invadida.Conhece sem deixar-se conhecer.
A senda que afirma a existência desse fio condutor na essência dos homens, atribui à humanidade um caráter enigmático, cuja obscuridade transcendente reafirma o egoísmo sacro de um deus engenhoso e perverso, que abandona suas criaturas na escuridão horripilante de suas próprias mentes, pregando-lhes peças e negando-lhes a luz do supremo saber... Imputa-lhes a dor sem ofertar-lhes o analgésico.
Considerando que "o mundo é o efeito infinito de uma causa infinita",cabe-nos perguntar onde esteve a "Causa infinita" antes que o seu "Efeito infinito" tivesse sido resultado.Onde situava-se esse Deus antes do mundo?Se a Sua onisciência é tamanha, com qual finalidade criou suas criaturas ignóbeis e insignificantes?
Se a perfeição consiste na circunferência, com o Seu centro,que a tudo abarca,talvez houvesse mais simetria se esse globo de perfeição fosse oco e silencioso.Isento da presença indiferente da humanidade.
Ao mesmo tempo,se brincarmos de acreditar nessa esfera divina, a impressão que temos é a de que os homens foram presenteados com um nível de percepção considerável e que houve um tempo em que gozou o êxtase completo de todos os seus sentidos plenos, no entanto, com o passar dos séculos e com os seus inúmeros deslizes de caráter,o ser misericordioso que o criou,foi arrancando-lhe,pouco a pouco,todos os seus atributos.É por isso que vivemos dias de superficiais especulações, onde os seres mais geniais como Shakespeare, são tão somente capazes de doutrinar que "existe muito mais entre o céu e a terra do que pode sonhar a nossa vã filosofia".
Todos os lugares são de Deus.Nenhum lugar é do homem.Entretanto,na condição de homem,não resignar-se,dedicando-se ao exercício da inquietação especulativa,talvez signifique situar-se ao lado dos demônios e deuses rebaixados por Xenófanes, que tal qual Hermes, escreveu livros onde estavam escritas todas as coisas ("fragmentos de uma suposta biblioteca ilusória").
Perigoso ou não, todos os filósofos e cientistas, de um modo ou de outro, acabam por contrariar a tal "esfera eterna".Ocorre que,verídica ou não,ela jamais pára de girar!Enquanto a esfera gira,nós inventamos mitos e metáforas que expliquem o inexplicável,mas a angústia das aspirações filosóficas talvez sejam resquícios inconscientes das páginas nas quais estavam "escritas todas as coisas" e que não se apagou por completo da mente humana.
Talvez só tenhamos que nos esforçar para livrar-nos do fantasma da amnésia universal que nos foi imposta.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Dos meus silêncios

Há um mistério oriundo à tudo aquilo que não se pode exteriorizar.Impressiona-me a força e resistência que ganham pensamentos e desejos secretos.Se quero me livrar de algo...basta dizer.Quando se grita aos quatro ventos,parece que a alma se inunda de uma leveza radiante.Do contrário,o peso se instaura sobre os ombros.A alma se arrasta.
Um segredo é uma bagagem cármica,intrínseco às possibilidades transversais.
Até que ponto somos reais guias de nossos destinos,se não estamos isentos de julgamentos e punições?
A Moral castradora e a ética das convenções...Aquele pacote de "boa cidadania" que nos ensinam nos primeiros anos escolares acabam por coagir nossa honestidade conosco mesmo.Ninguém havia me dito isso.Ninguém havia me alertado que por inúmeras vezes eu deveria negar à mim mesma,nem repudiar sensações que nascem de maneira natural.A inquisição ainda vive em minha mente.O medo do pecado,da punição e das pedradas alheias.
A moral está em pensar e sentir mas não agir?Ou a moral está na auto-mutilação?Devo matar meus sonhos?Negar meus sentimentos?Lembrar-me da "lei tríplice do carma"?
Estou ficando sufocada.Parece que tem sempre alguém tapando a minha boca.Suprimindo o som que vem do meu âmago e que já não pode se emudecer.Eu preciso falar,gritar,chorar e me quebrar inteira se for preciso.De mil em mil pedacinhos já me juntei por inúmeras vezes.Eu não posso.Eu não devo.Mas eu QUERO.E o querer ainda é o único paliativo para essa dor infinda de existir.Não querer mais é o mesmo que já não existir.E eu existo,ainda.
Quantas pessoas não devem ter enlouquecido por questões tão mínimas e que tão somente por terem se calado essas "questões" tomaram proporções máximas???De tão imensamente maximizadas dentro de si,um grão de areia pode se transformar numa seara e,logo, num deserto amaldiçoado.Até que a seca te toma por completo e te resseca a garganta e a alma.Eu preciso dizer.
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