Do nada que não há
Hoje acordei de mim e de todos que me habitaram
De todos os que eu senti [ Ou que me menti ] nas superfícies enfumaçadas
E que não passaram de fagulhas sujas [Pobres almas penadas]
Apenas sobrevoaram ou rastejaram até o fundo de mim, mas não mergulharam.
Hoje eu acordei de mim mesma e fiquei estarrecidamente pasma
Sem aquelas mãos entrelaçadas que enlaçam um mundo de possibilidades
Agora falta-me o ar que antes não me faltava. Não há mais que nada.
[Mas eu nunca desejei entrelaçar o mundo mesmo... E isso me acalma.]
E porque é que tem de haver rima e sentido se tudo nos escapa
Nas ‘corriqueirices’ desse cotidiano-lixo de meias palavras?
Em que rumo caminham os ponteiros do relógio-máquina
Horas essas ,que fogem,e que não absorvem nada?
“Tudo é vago e incompleto”: Isso em mim cala.
Silenciosamente compreendo, com a exatidão mecânica dos ajustados,
A lógica onisciente e abstrata que move o universo e que impõe aceitação.
A irregularidade de alguns dias é apenas uma peça pregada por um deus enganador
E assim seguimos, nessa gangorra mórbida,
Acreditando que somos livres para escolher algo.
Gostei muito de sentir tua poesia. Em um primeiro momento lutei para tirar de minha visão aquela mania de querer analisar o texto, ver o que há por trás das Palavras, ver o que grita esta alma...
ResponderExcluirmas, isso seria vão, seria medir , esquadrinha aquilo que não pode ser preso...
bem ao vencer isso curti, degustei sua poesia sem pretensões de ir além do belo poema lido... Wanderley Faria