Não sei amar
Quando amo, fico doente.
Sinto-me fraca, burra, demente.
E é por isso e tudo mais
Que já não embarco. Fico no cais.
Quando o fascínio me embriaga
Sinto-me carne, sentido. Mais nada...
Não há razão que me oriente
Pois, quando amo, fico dormente.
Quando Chopin me toca os ouvidos
E as borboletas dançam no estômago
Eu me reviro inteira do avesso
Dos pés à cabeça, estremeço no âmago.
Titubeio, Venero, tropeço.
Fragilizo, vulnerável. Retrocesso.
Emudeço. Não me meço
E transbordo, desconexo.
Quando eu amo, não sou eu.
Fico escrava do desejo.
Perambulo pelos becos
Vendo almas. Compro beijos.
Quando eu amo, vivo instável.
Viro noites, dobro tardes,
Remoendo mil demências
De consequências deploráveis.
E é por saber-me assim
Intransigente, ao amar,
Que construí, nos confins,
Um templo sacro distante. Um altar.
E toda vez que enlouqueço
Me isolo.Fujo.Até me reabilitar.
A filosofia literária do filósofo Franco-argelino Albert Camus e a poética filosófica da poetisa portuguesa Florbela Espanca se entrelaçam de maneira anacrônica e descompromissada.Ambos com as suas "ânsias de infinito", buscavam por aquilo que sabiam-se impossibilitados de encont rar:O sentido da vida.
terça-feira, 19 de março de 2013
Suspensões
À Zelda Fitzgerald
Tanto do que eu fiquei de lhe dar
Ainda pulsa em mim...
“A Bailarina” de Egon Schiele
Os poemas (de alma) que não escrevi
Os sorrisos descompromissados
E inesperadamente felizes (a rir de mim mesma)
E de minha dura seriedade balzaquiana.
Agora sigo os meus (des)caminhos
Como quem retoma uma estrada
Da qual jamais deveria ter me desviado.
E se eu não tivesse me afastado da estrada de antes?
E se...?? E se...??? E se ... ???
Luto com minhas entranhas para não guardar dores
Travo batalhas diárias para não alimentar ódios viscerais
Passeios mentais entre presente e passado vão e vem.
Entre oscilações de humor que só agora compreendo.
Diagnosticaram-me louca. Uma ameaça àquele que um dia amei?
Uma pólvora suicida. Possível Semente da culpa alheia?
Eterno tormento de uma alma gloriosamente radiante...
Eu seria a ruína de um jovem gênio. Eu... Uma quase demente.
Palavras que feriram e arrancaram em segundos um amor puro do peito.
Punhaladas mais nocivas que mil balas de revólver à queima roupa.
Assumidamente a cumplicidade de anos a fio foi violada.
Em nome de quê? (ou quem?)
Entorpeço-me com narcóticos controladores de
Sentimentos e (Res) Sentimentos.
O que dói em mim? Já não sei.
O tempo “perdido” em que me enganei com um “estranho conhecido”, talvez.
À Zelda Fitzgerald
Tanto do que eu fiquei de lhe dar
Ainda pulsa em mim...
“A Bailarina” de Egon Schiele
Os poemas (de alma) que não escrevi
Os sorrisos descompromissados
E inesperadamente felizes (a rir de mim mesma)
E de minha dura seriedade balzaquiana.
Agora sigo os meus (des)caminhos
Como quem retoma uma estrada
Da qual jamais deveria ter me desviado.
E se eu não tivesse me afastado da estrada de antes?
E se...?? E se...??? E se ... ???
Luto com minhas entranhas para não guardar dores
Travo batalhas diárias para não alimentar ódios viscerais
Passeios mentais entre presente e passado vão e vem.
Entre oscilações de humor que só agora compreendo.
Diagnosticaram-me louca. Uma ameaça àquele que um dia amei?
Uma pólvora suicida. Possível Semente da culpa alheia?
Eterno tormento de uma alma gloriosamente radiante...
Eu seria a ruína de um jovem gênio. Eu... Uma quase demente.
Palavras que feriram e arrancaram em segundos um amor puro do peito.
Punhaladas mais nocivas que mil balas de revólver à queima roupa.
Assumidamente a cumplicidade de anos a fio foi violada.
Em nome de quê? (ou quem?)
Entorpeço-me com narcóticos controladores de
Sentimentos e (Res) Sentimentos.
O que dói em mim? Já não sei.
O tempo “perdido” em que me enganei com um “estranho conhecido”, talvez.
domingo, 17 de março de 2013
Do nada que não há
Hoje acordei de mim e de todos que me habitaram
De todos os que eu senti [ Ou que me menti ] nas superfícies enfumaçadas
E que não passaram de fagulhas sujas [Pobres almas penadas]
Apenas sobrevoaram ou rastejaram até o fundo de mim, mas não mergulharam.
Hoje eu acordei de mim mesma e fiquei estarrecidamente pasma
Sem aquelas mãos entrelaçadas que enlaçam um mundo de possibilidades
Agora falta-me o ar que antes não me faltava. Não há mais que nada.
[Mas eu nunca desejei entrelaçar o mundo mesmo... E isso me acalma.]
E porque é que tem de haver rima e sentido se tudo nos escapa
Nas ‘corriqueirices’ desse cotidiano-lixo de meias palavras?
Em que rumo caminham os ponteiros do relógio-máquina
Horas essas ,que fogem,e que não absorvem nada?
“Tudo é vago e incompleto”: Isso em mim cala.
Silenciosamente compreendo, com a exatidão mecânica dos ajustados,
A lógica onisciente e abstrata que move o universo e que impõe aceitação.
A irregularidade de alguns dias é apenas uma peça pregada por um deus enganador
E assim seguimos, nessa gangorra mórbida,
Acreditando que somos livres para escolher algo.
Hoje acordei de mim e de todos que me habitaram
De todos os que eu senti [ Ou que me menti ] nas superfícies enfumaçadas
E que não passaram de fagulhas sujas [Pobres almas penadas]
Apenas sobrevoaram ou rastejaram até o fundo de mim, mas não mergulharam.
Hoje eu acordei de mim mesma e fiquei estarrecidamente pasma
Sem aquelas mãos entrelaçadas que enlaçam um mundo de possibilidades
Agora falta-me o ar que antes não me faltava. Não há mais que nada.
[Mas eu nunca desejei entrelaçar o mundo mesmo... E isso me acalma.]
E porque é que tem de haver rima e sentido se tudo nos escapa
Nas ‘corriqueirices’ desse cotidiano-lixo de meias palavras?
Em que rumo caminham os ponteiros do relógio-máquina
Horas essas ,que fogem,e que não absorvem nada?
“Tudo é vago e incompleto”: Isso em mim cala.
Silenciosamente compreendo, com a exatidão mecânica dos ajustados,
A lógica onisciente e abstrata que move o universo e que impõe aceitação.
A irregularidade de alguns dias é apenas uma peça pregada por um deus enganador
E assim seguimos, nessa gangorra mórbida,
Acreditando que somos livres para escolher algo.
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