quinta-feira, 8 de dezembro de 2011


A dor D'Alma


A distorção.A total distorção e incoerência da vida,dos desejos,dos sonhos e das paixões.Esse era o olhar perplexo e angustiado lançado à existência.Essa era ela,Florbela D'Alma da Conceição Lobo Espanca,uma poetisa portuguesa de sensibilidade e intensidade maestral.


Provocadora do fator tempo,sempre entediada e angustiada por aventuras impossíveis,Florbela convertia sua dor em arte,enquanto vivia o luto eterno pela perda de seu querido irmão,Apeles Espanca.Amor triunfal que por diversas vezes foi relembrado por críticos literários que,ainda hoje,fazem analogias ao caso mítico de Ártemis e seu Apolo.


O Phatos moveu toda a existência de Florbela,que ansiava por tragédia.Como se somente o desfecho trágico fosse capaz de libertá-la de sua dor material e conduzí-la a uma existência superiormente sublime e digna de ser vivida.


A dor.Sempre a dor.Essa companheira inominável das horas malogradas de desespero e solidão.A solidão de alma incompreendida e contestada por tudo e por todos.Esse sentimento de isolamento perseguiu-a até a sua derradeira madrugada.Na coerência de um ritual que destôa todo o percurso previamente escrito por ela,em sua teatralidade quase que cotidiana,fechando um ciclo simétrico de desenfreios e insanidades.

Ódio?

Ódio por ele?...Se o amei tanto
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado
Se à vida assim roubei todo o encanto...

Que importa se mentiu?E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar,marmorizado,
Olhar de monja,trágico,gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!

Ah!Nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero sentí-lo d'outra,bem distante,
Como se fora meu,calma e serena!

Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido,amor ainda.
Ódio por ele?Não...não vale a pena...




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