segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Você, que não existe.

Você, que ainda é sonho
(minha pura fantasia)
Devolvestes minha inspiração, minha poesia.
Sacudiu meu corpo pasmo.Jorrou minhas veias.

Você, que só existe enquanto eu durmo
(Persiste nesse meu obscuro submundo.)
Arrastou minhas entranhas ao país das maravilhas
Lançou fogo aos meus olhos presos no escuro.

Você, que eu não conheço
(só pressinto!)
Me leva á vagar pelo infinito.
Faz festa em minha alma estrangeira
Dá voz aos meus desejos inauditos.

Você, que me espera em alguma rua
Correndo entre os carros, na avenida,
Prevê meus passos, meus anseios...
Que já me conhecia de outras vidas.

O ofício

Vivo um ofício marginal
Esculpindo tantos céus e paisagens
que preenchem o vão dessas tardes
Em que desabo da abóboda glacial

Sina de Pigmalião apaixonado
Por sua Galatéia enfeitiçado
à rogar aos deuses compaixão

Pressenti por tantas repetidas vezes
Os ventos à oeste que me detiveram
Dos sonhos muitos de outra primavera...
Das inverdades de outro coração

Empenho minhas densas horas rubras
Na criação dessas belas curvas
Onde pousarei minha emoção.




domingo, 24 de fevereiro de 2013

Cansaços

De tão pálido,turvo e trágico
Tantos danos,perdas,cansaços,
Que a menor das mais vis alegrias
Toma uma forma gigantesca.

Quase à esmo,esses meus braços,
Tais quais velhos drásticos,
Em enfadonhos embaraços,
enrugando as fantasias
Em desventuras dantescas.

Sublimando sorrisos falsos,
perdidos em sujas neblinas,
Meus olhos caminham, esparsos,
Por onde ninguém imagina.